Também na educação, Rollemberg é um desastre

Ideb: DF fica abaixo da meta no ensino médio e nos anos finais do fundamental

Do 6º ao 9º ano, alunos da capital atingiram 4,9; meta era 5,3. No ensino médio, 4,1 obtidos ficaram bem abaixo da meta de 4,9.

 

Sala de aula de uma escola pública do Distrito Federal (Foto: Dênio Simões/Agência Brasília)Sala de aula de uma escola pública do Distrito Federal (Foto: Dênio Simões/Agência Brasília)

Sala de aula de uma escola pública do Distrito Federal (Foto: Dênio Simões/Agência Brasília)

 

A educação do Distrito Federal ficou abaixo da meta de qualidade, entre 2015 e 2017, em duas das três etapas de ensino avaliadas pelo Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Os problemas se agravam conforme o aluno avança, e o pior resultado está justamente no ensino médio.

Os dados, divulgados nesta segunda-feira (3), mostram que as escolas públicas e privadas do DF também não atingiram as notas mínimas projetadas pela União nos anos finais do ensino fundamental – ou seja, do 6º ao 9º ano.

O Ideb é o principal indicador de qualidade da educação básica, formado pelo Saeb (prova de português e matemática aplicada a cada dois anos) e pelo fluxo escolar (taxa de aprovação/reprovação/abandono dos alunos).

Nos anos finais do fundamental, o DF deveria ter ficado com 5,3, mas só atingiu 4,9. Veja abaixo a evolução da nota e das projeções calculadas pelo Ministério da Educação (MEC) desde 2007.

O que diz a secretaria?

Em nota, a Secretaria de Educação do DF afirmou que, “apesar de a rede não ter atingido as metas propostas para o ensino fundamental nos anos finais, houve uma evolução significativa na nota com relação aos anos iniciais”.

Segundo a pasta, essa evolução demonstra “que a proposta que está sendo implantada deverá trazer melhores resultados a médio prazo”.

No resultado agregado das 27 unidades da Federação, o Brasil não atingiu a meta de desempenho na etapa final do ensino fundamental. Entre os 26 estados e o DF, 23 aumentaram o Ideb dessa faixa, mas apenas sete alcançaram a meta proposta: Rondônia, Amazonas, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Mato Grosso e Goiás.

Ensino médio

No Ensino Médio, o Distrito Federal não conseguiu “passar de ano”. Em 2017, a média dos alunos ficou em 4,1, enquanto a meta era de 4,9.

Na comparação com o Ideb anterior, de 2015, os resultados também são tímidos. A nota média dos estudantes do DF cresceu 0,4, para os anos finais do ensino fundamental, e apenas 0,1 no ensino médio.

O Ideb é medido a cada dois anos, e a meta a ser atingida também é atualizada nesse período. Em 2011 e 2013, o DF ficou próximo da projção, a 0,1 ponto de bater a meta. Desde então, o saldo negativo foi aumentando. Em 2017, o DF ficou a 0,8 décimo da nota esperada.

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Secretaria minimiza

Na nota enviada ao G1, a Secretaria de Educação usou o panorama nacional para minimizar o próprio resultado negativo. Segundo a pasta, “a meta do ensino médio não foi atingida por nenhuma unidade federativa, e o Ideb do DF ainda é o quarto melhor no ranking nacional desta etapa de ensino”.

A secretaria também diz que “é necessária uma reestruturação do ensino médio no sentido de agregar tecnologias ao ensino e atrair os estudantes para o aprendizado”. Na nota, porém, não há nenhuma descrição das medidas que foram, ou serão, tomadas nesse sentido.

No país, o ensino médio, levando em conta os dados da rede pública e da privada, teve crescimento de 0,1 ponto entre 2015 e 2017: passou de 3,7 para 3,8.

O ministro da Educação, Rossieli Soares, disse durante a apresentação das informações que “a chance de cumprirmos as metas estabelecidas para o ensino médio é nula.”

“Neste formato, neste ritmo nós não cumpriremos as metas em 2021. Se continuarmos desse jeito, não cumpriremos em décadas. […] O ensino médio está estagnado. A discussão do modelo tem a ver com isso. É nítido que temos uma estagnação.”

Meta atingida no DF

Em uma escala de 0 a 10, os alunos do ciclo inicial do ensino fundamental tiveram média 6,3 – e a meta era, justamente, de 6,3. Além do DF, Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo, Ceará, Paraná, Santa Catarina, Goiás alcançaram um Ideb maior ou igual a 6,0.

Alunos de escola pública do Distrito Federal (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília/Divulgação)Alunos de escola pública do Distrito Federal (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília/Divulgação)

Alunos de escola pública do Distrito Federal (Foto: Gabriel Jabur/Agência Brasília/Divulgação)

O Brasil alcançou em 2017 um índice igual a 5,8, considerando as redes pública e privada, superando em 0,3 ponto a meta proposta. Entretanto, se excluída a rede privada do resultado, o Ideb nos anos iniciais é justamente 0,3 ponto inferior.

As metas fixadas pelo MEC são sempre progressivas, e se estendem até 2021. Se a unidade da Federação fica para trás em um ano, precisa correr atrás do prejuízo para reverter o quadro nos exames seguintes.

Entenda o Ideb

O Ideb foi criado em 2005, depois que a Prova Brasil passou a ser censitária para o ensino fundamental, ou seja, aplicada em todas as escolas do país. O índice combina dois elementos para medir o desempenho do sistema educacional brasileiro.

O primeiro item considerado é a proficiência obtida pelos estudantes nas provas nacionais. O segundo é a taxa de aprovação, que é a medida do avanço dos alunos entre as etapas e anos da educação básica.

Nacionalmente, as metas estabelecidas para 2021 são:

  • ensino fundamental/anos iniciais – 6,0
  • ensino fundamental/anos finais – 5,5
  • ensino médio – 5,2

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