Governo Rollemberg fechará o ano com déficit milionário no orçamento

Quem assumir o Palácio do Buriti terá de arcar com dívida inicial de R$ 600 milhões. Equipe de Ibaneis prevê rombo maior.

Mesmo com a expressiva alta na arrecadação este ano, o político que tiver em mãos a chave do Palácio do Buriti a partir de 1° de janeiro de 2019 já entra na Casa com uma dívida de pelo menos R$ 600 milhões. A atual gestão reconheceu que não conseguirá fechar o mandato de Rodrigo Rollemberg (PSB) com as contas em dia. Assim, a falta de caixa para cobrir as despesas de 2018 deixa restos a pagar para a próxima gestão.

Os R$ 600 milhões são os números apresentados oficialmente pelo GDF. No entanto, em debates e eventos públicos, o rival de Rollemberg no segundo turno das eleições, Ibaneis Rocha (MDB), tem afirmado que o rombo vai superar – e muito – a matemática divulgada pelo Buriti e chegará a R$ 2,4 bilhões.

Com discurso de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal durante todo o mandato, Rollemberg terminará os quatro anos contrariando a LRF. A norma determina que as despesas empenhadas sejam quitadas em sua integralidade, o que o próprio governo admite que não ocorrerá.

Por meio de nota, a Secretaria de Fazenda justificou que o déficit “deve-se aos mais de R$ 6 bilhões em dívidas herdadas da gestão passada [de Agnelo Queiroz (PT)]. Caso contrário, as contas apresentariam superávit estimado em mais de R$ 2 bilhões”, informou a pasta.

Em 2018, a previsão do orçamento, aprovado pela Câmara Legislativa era de R$ 42,6 bilhões. O detalhamento consistia em: R$ 27,2 bilhões do Tesouro, R$ 13,7 bilhões do Fundo Constitucional, além de R$ 1,8 bilhão de investimento nas estatais. Porém, a verba não foi suficiente para fechar o ano.

Previsão bilionária
Embora a atual gestão fale que o buraco será de R$ 600 milhões, em discursos públicos, o candidato ao Buriti Ibaneis Rocha tem dito que o rombo nos cofres ficará em R$ 2,4 bilhões. Segundo a equipe econômica do emedebista, Rollemberg deixou de prever, para 2018, restituições de tributos, restos a pagar, pagamento de licença-prêmio, reajustes e outras despesas que devem aumentar ainda mais o déficit.

Em debate realizado pelo Metrópoles na última quarta-feira (17), o advogado afirmou que deixar de prever despesas no orçamento mascara o problema: “O senhor está fazendo pedalada fiscal, governador, e vai responder no Tribunal de Contas por isso. Farei uma representação contra o senhor”, disse Ibaneis.

Rollemberg rebateu ao afirmar que foi o único que acabou com as pedaladas fiscais no DF. “Já tive as minhas contas de 2015 e 2016 aprovadas. Isso permite que chamemos mais concursados. Com responsabilidade, dizemos que vamos dar a terceira parcela [do reajuste ao funcionalismo local] no ano que vem. Se você acha que é possível [cumprir todas as promessas], é sinal de que arrumamos as contas. Você diz que tem um rombo, mas está prometendo mundos e fundos”, pontuou.

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